Gamepólitan e o cenário de eventos pop em Salvador - Impressões de um gamer casual - Nerdaiada

Gamepólitan e o cenário de eventos pop em Salvador – Impressões de um gamer casual
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Gamepólitan e o cenário de eventos pop em Salvador – Impressões de um gamer casual

Não, eu nunca joguei LoL, mas já dei altas risadas com os amigos no Towerfall. Não, eu não compro jogo na steam todo mês, mas já me vi juntando o que tinha e o que não tinha para comprar um título de uma saga que sou fã. Não, eu não tenho console da geração atual, mas meu Ipad me mantem distraído.

Sim, eu, Léo Cunha, sou o chamado “gamer casual”. E junto com o resto da Equipe Nerdaiada, eu estive no Gamepolitan 2016.

Essa foi minha segunda vez no maior evento de jogos do Norte/Nordeste. Na primeira, em 2015, mesmo sendo na época ainda menos ligado ao dia-a-dia gamer do que sou hoje, me surpreendeu o quanto o evento havia conseguido ser fiel ao que se propunha; um evento GAMER. Atrações interessantes ao publico gamer. Cosplays em sua maioria de games (e esses, em sua maioria, de LoL). Mesas e mais mesas de cards e boardgames, provando que não so  video-games trazem novidades e diversão aos gamers.

Eu digo “me surpreendi”, pois minha expectativa para aquele dia estava baseada no cenário de eventos nerd/geeks que salvador já vivia a alguns anos na época: Eventos que de tão escassos e fracos em porte e qualidade, terminaram se tornando, independente do seu nome ou proposta original, eventos genéricos e cada vez mais parecidos, servindo apenas de ponto de encontro para os diversos grupos e fã-clubes, “perdidos” a espera dos eventos maiores, sendo que ate estes perdiam sua identidade.

Vou explicar. Vejamos, por exemplo, o outro grande evento de cultura pop do mesmo grupo organizador: o Anipólitan. Voltado para os fãs de anime e manga, o festival tem recebido duras criticas por, em suas ultimas edições, ter tido como principais atrações famosos youtubers que pouco ou nada tinham a ver com a temática do evento, o que por si só já era motivo de indignação dos que já o frequentavam a muitos anos. Mas isso ainda trouxe outra polemica: a presença dos youtubers acabou por trazer ao Anipólitan, de forma massiva, os fãs e seguidores dessas web-celebridades, que, tais quais seus ídolos, não estavam na maioria das vezes conectados ou sequer interessados na proposta e temática do resto do evento. O que se dizia era que tais atrações estavam la por “terem sido as mais pedidas”. isso demonstrou um posicionamento claro da organização: abrir mão do foco temático em busca de um maior publico. Curiosamente, o oposto do que acontece no Gamepólitan.

Logo, cheguei na edição de 2016, não só mais um visitante mas também um membro de um canal de imprensa, convidado a cobrir suas atrações, esperançoso de ver novamente aquele evento com identidade, com foco na sua temática. E foi exatamente isso que vi. Talvez um pouco até demais.

Para o chamado “gamer hardcore”, que é um jogador assíduo, seja de um jogo ou de vários, de fato encontrou no evento um verdadeiro parque de diversões. Atrações não faltaram, principalmente várias já famosas no meio gamer, fossem youtubers como os irmãos castro (com quem o nerdaiada bateu um papo), ou jogadores profissionais de esportes eletrônicos como o LEP da CNB (que também entrevistamos). Aqueles que estão começando e buscando mostrar seu trabalho tiveram seu espaço, inclusive batemos um papo com vários desenvolvedores baianos de games, mostrando que é possível botar ideais em pratica e trabalhar de fato com jogos no brasil. Houveram também, com direito a plateia e comentaristas, campeonatos oficiais de diversos games, desde Counter-Strike até Just Dance (cujo campeão mundial conversou com a gente).

Porem, como falei no inicio, sou, como muitos outros, um gamer casual. Não acompanho campeonatos de e-sports, e não sei o nome de nenhum jogador profissional, nem de nenhum youtuber famoso por fazer vídeos de gameplay. Em muitos momentos ao longo do dia, me vi procurando algo que despertasse meu interesse, sem sucesso.

Outros eventos, ate por questões de acontecerem em espaços mais “abertos” e amplos, com maior separação entre seus ambientes, transmitem uma sensação de liberdade que permitem curtir o evento sem se atrelar a qualquer atração especifica do mesmo. Tanto simbólica quanto literalmente, o Gamepolitan é um evento mais “fechado” em si, e quem não pertence a um dos determinados nichos do qual as atrações façam parte simplesmente não “se encontra” por lá.

É bom ver que mais uma vez o Gamepolitan se mostrou, apesar de manter o nível  mediano de qualidade dos serviços soteropolitanos, um evento nada genérico e sim esforçado em cumprir sua proposta. Porem, seu maior trunfo foi também  seu maior defeito: ter conseguido, ao concentrar seus esforços e atrações para tal, agradar um de seus públicos-alvo, o gamer hardcore. E apenas ele.

About Léo Cunha

Polímata (escritor, ilustrador, compositor, ator, dublador), ou, pelo menos, sonha em ser.

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