O que Philip K. Dick achou de Blade Runner? - Nerdaiada

O que Philip K. Dick achou de Blade Runner?
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O que Philip K. Dick achou de Blade Runner?

Philip K. Dick criou algo bem especial com suas 44 novelas publicadas, alem de mais de 120 historias curtas. Sua novela de 1968 “Do Androids Dream Of Electric Sheep” (“Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?”) se tornou um pilar do gênero de ficção cientifica quando o cineasta Ridley Scott o usou como base para seu filme de 1982, Blade Runner.

Apesar de Dick ter falecido em março de 1982 e não ter chegado a ver o filme completado, de acordo com relatos em primeira mão de uma ida a EEG (Entertainment Effects Group) para uma projeção de um trecho do filme, uma teoria de sua opinião do filme pode ser formada.

Um segmento da reimpressão revisada e atualizada de Future Noir: The Making of Blade Runner escrita por Paul Sammon meio que responde a pergunta, graças a Flavorwire por postar:

“Eu recebi uma chamada de uma das garotas do departamento de produção [de Blade Runner] dizendo que Philip K. Dick estava vindo as 3 da tarde para uma projeção,” [David] Dryer relembra, [um dos chefes de efeitos especiais de Blade Runner]. “ela me disse para juntar uma bobina de efeitos mostrando o melhor do melhor. Então eu o fiz. Eu planejava mostra-lo para Dick na sala de projeção da EEG, que era bastante digna de nota. Doug Trumbull tinha uma das melhoras salas de projeção que eu já vi. A imagem na tela era espetacular—era em 70mm—e um grande sistema de som tinha sido instalado que fazia o chão ressoar.

 

“Agora, Vangelis não havia fornecido nenhuma musica ainda, mas Matthew Yuricich tinha estado pintando com antigos álbuns de Vangelis—Matt gosta de pintar ao som de musica. Como já estávamos familiarizados com aquilo, decidimos tocar musicas de Vangelis enquanto mostrávamos nossa bobina para Dick.

 

“Então a produção alugou uma limusine para buscar Philip Dick em Santa Ana,” continuou Dryer. “Eles estavam mesmo dando o tratamento de luxo. Aquela limo o levou o caminho todo até Maxella, e quando ele chegou na EEG, eu percebi que Dick havia trazido uma mulher junto com ele [Wilson]. Eu também podia ver imediatamente que Dick estava infeliz; ele agia como se estivesse incomodado com algo. Primeiro começou a me questionar num tom irritado sobre todo tipo de coisa—ele queria saber o que estava acontecendo, me disse que tinha estado bem infeliz com o roteiro, e ai por diante.

 

“Então primeiro lhe demos uma rápida tour pelo EEG shop, o que achei que poderia lhe acalmá-lo. mas Dick não parecia impressionado, mesmo quando mostramos a ele todas as artes de pre produção e os modelos verdadeiros que usamos para certas tomadas de efeito. (Então, apos Dick e Ridley terem uma reunião), nós fomos para a sala de projeção.”

 

“Dick estava meio receoso a principio,” lembra Ridley Scott. “Até abaixarmos as luzes, aumentar a musica, e passar a filmagem para ele,” acrescenta Dryer.

 

Entretanto, de acordo com o co-supervisor de efeitos de Blade Runner, “Dick não falou uma palavra a principio. Ele sentou la por 20 minutos como uma estatua. Então as luzes se acenderam, e Philip K. Dick se virou para mim. Ele disse nessa voz grosseira, ‘Você pode passar de novo?’Então o projecionista recomeçou e passou de novo.

 

“Agora as luzes se acendiam pela segunda vez. Dick me olhou bem nos olhos e disse, ‘Como isso é possível? Como pode ser? Essas não eram as imagens exatas, mas a textura e o tom das imagens que eu vi em minha mente quando estava escrevendo o livro original! O ambiente é exatamente como eu imaginei! Como vocês fizeram isso? Como vocês sabiam o que eu estava sentindo e pensando?!’

 

“Deixe eu te dizer, aquele foi um dos momentos mais bem sucedidos da minha carreira,” Dryer concluiu. “Dick foi embora atordoado.”

Ever Wonder What Philip K. Dick Thought About Blade Runner? - Future Noir The Making of Blade Runner

About Léo Cunha

Polímata (escritor, ilustrador, compositor, ator, dublador), ou, pelo menos, sonha em ser.

One comment

  • out 10, 2017 @ 23:10 pm

    Que artigo incrível! Dois gigantes se encontrando. Um da literatura ScFi e ouro dos cinemas. Show!

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